
A coleção masculina desse inverno está demais!
FALL IN WINTER 2007
A Agência
Nelly Rody, especializada em prospecção de tendências, é reconhecida como uma das maiores da França e do mundo. O pensamento estratégico para moda é feito através de um grupo de antropólogos, filósofos, sociólogos e colaboradores de diversas áreas. Sua Fundadora, Madame Nelly Rodi, conquistou fama por sua experiência na área de criação e comunicação no estúdio do estilista André Courréges.
LIKE A VIRGIN - Inspiração no sagrado. Símbolos e motivos de religiões do mundo inteiro estarão em voga com reinterpretações. O tema está relacionado com o desejo de retorno aos sentidos.
POP CULT – Expressão do popular, do folclórico e do Kitsch, usados com humor, ingenuidade e liberdade. Inspiração no acúmulo de “souvenirs” encontrados na Rússia, Kiev, Praga, Budapeste ou Berlim.
LEGENDAS FANTÁSTICAS – Retorno à natureza mítica e misteriosa, povoada de seres bizarros, meio homens, meio animais. A poética da metamorfose, do contraste entre o tosco e o precioso.
ÍDOLO CHIC – Inspiração nos ídolos sofisticados da sociedade contemporânea, os semideuses da atualidade. Revisita a elegância retro Hollywodiana, numa ambiência urbana noturna e cintilante de cassinos e bares de hotel.
Nada de rupturas, pitadas vanguardistas ou novos rumos para moda masculina desfilada em Milão na semana de 14 a 19 de janeiro. Sobriedade e elegância definem o clima da temporada.
Muitas coleções receberam desdobramentos de edições passadas. A moda assume outra velocidade. É mais lenta e menos opressora com mudanças bruscas. Peças de outras estações podem ser reeditadas no guarda-roupa, pois até as cores se repetem e se mesclam com as do verão 2007 ou de outros invernos.
O futurismo, celebrado nos quatro cantos do mundo como a nova onda, perde a força em Milão. É como se não estivéssemos preparados e nem quiséssemos um novo conceito, um novo design que representasse o século XXI em sintonia com a "layer" da realidade tecnológica. Neste sentido, o que acontece é que o tal futurismo (já chamado de retro-futurismo), assume linguagem purista, deixando por conta dos materiais o sabor do porvir. São os efeitos metálicos e super brilhantes, o que de mais bacana foi apresentado. O desejo é por roupas com certo romantismo nostálgico, mas sem forçar a barra na recuperação de estilos históricos, como aconteceu com a moda nos últimos anos.
Em Milão homem é homem. Androginia ou peças emprestadas do universo feminino não rolam. A afetação fica por conta dos materiais de aspecto glamouroso ou pelo uso de algumas cores fortes, como amarelo e laranja. Quem pensava que a calça skinny (bem sequinha, quase justa ao corpo) poderia já ter cansado, se enganou. Ela vem com enorme força em muitas coleções. Já o “oversized” apareceu pouquíssimo, e o maximalismo se foi. O que acontece é que os casacos ficam mais longos. O índigo é o diz do momento com uma lavagem mais suja.
Veja as principais tendências para o Inverno 2007/2008, em Milão:
· Cores - preto, branco, off-white, muitas variações de cinza, cores primárias (vermelho, amarelo e azul). Pontuações de amarelo ou laranja são o “must”. Prata e metalizados em geral.
· Temas - Alpino, Futurismo, Sky, Militar (sem uso de camuflados), S&M e Alfaiataria.
· Peças-chave - jaqueta tipo bomber, calças skinny, trench-coats, Macacão, bermudas na altura do joelho e com desenho mais próxima ao corpo, peças em couro, casacos com um palmo acima dos joelhos, jeans com aspecto sujo e jeans escuro.
· Silhueta - sequinha, mais próxima ao corpo.
· Golas - grandes para jaquetas ou trench-coats e gola tipo padre.
· Materiais - tecidos de aspecto brilhante e metalizados, couro, veludo, tecidos de aspecto felpudo, neoprene, lã, plástico, flanela e peles.
· Styling - uso de chapéu tipo côco, muito popular nos anos 1900.
· Estampas - De Leopardo, modernistas, gráficas e listras. O xadrez deu um tempo, bem como misturas abusivas de estampas.
Melhores Coleções:
Calvin Klein e Jil Sander - Por futurismo sem afetação ou caricatural.
Fendi - Por trazer a referência do mestre espanhol, Cristóbal Balenciaga, para o universo masculino.
Alexander McQueen - pela ousadia dos materiais e cores na alfaiataria.
Bottega Veneta – pela elegância que o “casualwear” e alfaitaria foram trabalhados.
Marni - por seu “debut” no masculino com design limpo, sofisticado e de ótimas proporções.
Decepção:
Depois de coleções que apontavam novos rumos para a moda masculina, Prada e MiuMiu não decolaram nesta estação.
A moda lançada por Armani é o preto cool, paletós abotoados na diagonal, em tons imperiais, foram usados sobre calças de veludo de corte reto que iam soltas ou eram presas dentro de botas de couro que chegavam na metade da panturrilha. O veludo foi usado em camisas macias, com calças e paletós de lã. Os sapatos brilhantes de cor azul petróleo.
Já no Brasil o São Paulo Fashion Week mostra diversidade.
MARIO QUEIROZ
Mario Queiroz mergulhou de cabeça na relação homem + animal para tecer a sua coleção de inverno 2007.
Um dos poucos estilistas brasileiros especializados na moda masculina, Mario Queiroz mergulhou de cabeça na relação homem + animal para tecer a sua coleção de inverno 2007. E na prática a teoria foi traduzida assim: tecidos que imitam peles de animais, texturas fofas (que loucamente acionam o sentido do tato), acessórios confeccionados de maneira primitiva (pingentes de dentes em metal, patches de pele fake) estampas de animais - destaque para os macacos, elefantes e leões.
A melhor parte do show ficou por conta das peças em alfaiataria, com cortes secos, retinhos, na cor do momento: o cinza e suas muitas nuances. Verde escuro e marrom também foram tonalidades eleitas por Mario para a temporada de frio nos trópicos, que segue firme e forte com seus tecidos, estamparias e acabamentos exclusivos.
Embora o tema seja a selvageria, Mario aposta no comercial: entregou-se ao movimento que traz shapes justíssimos para homens descolex. Suas calças agora aparecem quase adesivas, super skinny. E tramadas em couro - mas sem cair no estigma do sertanejo. Os volumes ficam só na parte de cima - e nos casacões e túnicas com ar sacrossanto que pontuaram momentos dos desfiles.
ALEXANDRE HERCHCOVITCH
Sobreposições, peles (sintéticas) e matelassê anunciam um inverno rigoroso.
Alexandre foi ao Pólo Norte. E saiu de lá com a mais pesada coleção de inverno de toda a sua carreira. O peso vem através das sobreposições, dos looks "cobertos" por peles (sintéticas), matelassê, tudo a posto para enfrentar a maior frente fria dos últimos tempos. Na maquiagem, os meninos carregavam flocos de neve nos rostos. Luvas protegiam as mãos e um arsenal de parcas, casacos e jaquetas montados sobre calças sequinhas, de vez em quando ganhava um refresco quando coordenados com bermudas (ótimas).
É no mínimo curiosos assistir - e depois comprar - como as viradas de estilo protagonizadas por Alexandre Herchcovitch sempre englobam suas preferências. Os materiais como vinil e lã, o efeito matelassê, os macacões, o capuz, o xadrez, as estampas (desta vez o motivo eleito são mosaicos de pastilhas) aparecem com assiduidade em todas as coleções. Porém na alquimia protagonizada pelo estilista em seu desfile de inverno, tudo se apresenta diferente e tem cheiro, formas e cores de coisas muito novas.
ELLUS
É quando a Ellus faz latente sua vocação andarilha que apresenta suas melhores coleções. O escapismo se une ao utilitarismo, aspecto que a marca sabe explorar. Soma-se a isso a textura e o brilho dos tecidos nas cores escuras, os volumes exagerados em cima e o skinny embaixo, e tem se o Inverno 2007. Máxi é palavra de ordem da coleção, em se tratando de bolsos, capuzes, bolsas, mochilas, casacos e parcas, volumes em geral.
O segmento de estampas abstratas em cores primárias ou néon dá ao escapismo o descompromisso que ele merece. E deixa explícito o oitentismo.
LINO VILLAVENTURA
Formas orgânicas e arquitetadas no inverno 2007
Ora formas orgânicas, ora formas estritamente arquitetadas, concretas. Assim é o Inverno 2007 de Lino Villaventura. É uma coleção escura, iluminada por cobre, amarelo, azul e verde.
Desta feita, o principal destaque são os vestidos montados em camadas de tecidos, faixas e tiras que se sobrepõe. Eles são curtos, acinturados e únicos. Pregas envolvem o corpo e criam modelagens bem definidas. No masculino, a silhueta é justa, e os tons escuros. As diferenças entre um look e outro se dão nas texturas e nos efeitos de pregas. É uma das melhores coleções masculinas já desfiladas por Lino.
V.ROM
Geometrias, xadrezes, listras o inverno 2007 da marca investe pesado no streetwear.
A cenografia denunciou de cara o ponto de partida da coleção inverno 2007 dos estilistas Rogério Hideki e Vitor Santos, da marca V.ROM - um losango gigante, confeccionado em um tipo de plástico preto e escoltado por círculos brancos no pano de fundo.
Geometrias, xadrezes, listras e muitos patterns clássicos que foram adotados pela cultura streetwear como elementos-chaves do manifesto grunge são colocados em prática sobre jaquetas, bermudas, calças e acessórios bastante comerciais.
Como de costume, a coleção da dupla Rogério + Vitor pecou pela ausência de ousadia, mas acertou em cheio na transmissão da (sua) mensagem fashion para a temporada de frio. A V.ROM quer vestir meninos urbanos, nada descolados e nada modernetes, que curtem boa roupa sem ter que obrigatoriamente se apertar dentro de calças skinny ou do tal visual rock 'n' roll que toma conta das passarelas masculinas aqui e no mundo. E nesse sentido a marca inova. Inova porque é comercial sem pegar onda no maremoto indie.
É claro que um coletinho apareceu aqui e acolá - mas somente para compor um look, e não para ser o carro-chefe do visual. Máxi-bolsas acompanham os garotos da V.ROM quando o assunto é acessório - sem contar os botóns metalizados, correntinhas discretas e cintos quase invisíveis.
A marca continua a apostar na trinca camiseta + paletó + bermuda para aquecer a garotada. E embora muitos modelos tenham escorregado na voltinha da passarela (o resultado do losango em plástico contra a sola de madeira das botinas foi desastroso), as lojas e revendedoras da V.ROM podem apostar: o inverno vai ser quente para as vendas.